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Linha Titânia da Chromma

A Chromma se apresenta no mercado de mobiliário para escritório com uma presença baseada em ergonomia e design. Sempre com uma visão em constante crescimento, a empresa alia a busca de inovações tecnológicas e projetuais à uma distribuição sólida e qualificada de seus produtos por todo o país. Chromma 19.3246-3247



Sônia Menna Barreto

o retrato da nossa melhor fantasia

“Súbito, em meio aos velhos volumes de uma estante, irrompem as Cataratas do Iguaçu; de um balcão improvisado numa lombada de livro, duas figurinhas observam, não se sabe o que; mais abaixo, ágeis bailarinas rodopiam, sob a pálida luz de uns poucos fósforos; sobre uma escrivaninha, metade móvel metade paisagem, convertida em estação ferroviária detém-se, resfolegante, uma locomotiva que acaba de atravessar um túnel recortado onde antes havia um descampado, o qual por sua vez interrompe uma seqüência de prateleiras; velas acesas, gôndolas, selos postais, partituras, envelopes dilacerados, personagens da Commedia dell´Arte, museus inimagináveis, engrenagens, máquinas de pintar, lupas, dados, ampulhetas, cordas, barbantes, cartas de baralho, carretéis, a Torre de Babel, castelos renascentistas, bicicletas que voam, automóveis, balões, aviões, escadarias que conduzem a espaços ambíguos, Carlitos, Frankenstein e Hitchcock, cidades inexistentes ou que deveriam existir, personagens liliputianos, puzzles, mascarados, paródias bem humoradas de Velhos Mestres, rasgões, retratos de família, reminiscências da infância e muita coisa mais - eis a matéria-prima de que se nutre a imaginação de Sônia Menna Barreto para compor seus quadros, microcosmos pelos quais o olho do espectador passeia entre surpreso e prazeroso, detendo-se aqui e ali ante um detalhe insólito, um pormenor irônico ou sarcástico: mundo do faz-de-conta, onírico, divertido, nascido da minuciosa observação do mundo real, trabalhado em sonho e depois extravasado em límpida técnica, com sutilezas de miniaturista.”

Este texto, do conceituado professor José Roberto Teixeira Leite, é perfeito. Impossível retratar Sônia Menna Barreto com tamanha riqueza de detalhes e tanta precisão de outra forma. Mas, é claro que podemos complementar.

Pra começar, seria importante dizer que a menina que nasceu em São Paulo, Capital, com o nome de Sônia Regina Gomes Menna Barreto de Barros Falcão começou a desenhar em 1960, e já a partir do ano seguinte participou de um curso de Artes Plásticas, que freqüentou até 1962. Pouco tempo depois, com 16 anos, foi aluna do curso de pintura de Waldemar da Costa (artista premiado na Bienal de São Paulo), durante um ano, e em 1980 começou a freqüentar o ateliê do artista Luiz Portinari (irmão de Cândido Portinari), no Centro de Artes Cândido Portinari. Durante esse período, conheceu a vida artística, os movimentos, e ouviu muitas histórias contadas por Portinari, que convivera com grandes pintores, escritores e poetas da época. Ao entrar em contato com trabalhos de Max Ernst, De Chirico, Magritte e Paul Delvaux, a obra de Sônia tomou a direção do Surrealismo. Quando o curso terminou, três anos mais tarde, Sônia instalou seu ateliê em casa, onde iniciou seus primeiros trabalhos como artista profissional. Em 1989, realizou sua primeira mostra individual em São Paulo, com sucesso de público e crítica. Em 1991, participou de uma mostra de gravuras em Nova York e, a partir de então, iniciou sua produção de serigrafias, que foram lançadas em 1995. Em 1999 começou a editar suas próprias giclées (técnica ultra-sofisticada de impressão de gravuras, que pode gerar até 16 milhões de cores numa única impressão). No dia 1 de outubro de 2002, a obra "Leonard Cheshire", de sua autoria, foi entregue numa cerimônia no Palácio de Buckingham e pela primeira vez uma obra brasileira passou a integrar a ROYAL COLLECTION, pertencente à Família Real Britânica, uma das coleções de arte mais importantes do mundo. Em maio de 2004 assinou contrato com a alemã ArtMerchandising & Media AG, uma das mais importantes e atuantes agências licenciadoras do mundo. Suas imagens também são licenciadas pela empresa americana Stave Puzzles.

Hoje, para produzir uma obra original leva até 50 dias, às vezes até mais. Estuda o tema, prepara ela mesma as tintas, e ao final é impossível não aplaudir seu trabalho. Voltando a recorrer à opinião do professor José Roberto Teixeira Leite, que tão bem a conhece, pode-se dizer que “disposta a corrigir o mundo, Sônia reinventa-o a seu modo” em suas obras, e talvez seja justamente isso que nos fascine tanto. Ver retratado o mundo em que gostaríamos de viver. Cheio de cores, figuras divertidas e luz, muita luz.
Abaixo, você confere em entrevista exclusiva, um pouco mais dessa brilhante artista.

Mondogabriel - Quando e por que começou a pintar fantasia?
- Na verdade, o nome fantasia foi dado pelo professor José Roberto Teixeira Leite, crítico de arte que escreveu o meu livro, “Sônia Menna Barreto - Pintora de Fantasias “.
Vejo-me como uma pintora do realismo fantástico, muito mais próxima dos escritores da América do Sul, como Gabriel Garcia Márquez (“Cem anos de solidão”), Isabel Allende, (“A casa dos Espíritos”) e outros mais.

Mondogabriel - O que é a técnica da giclée, quando a descobriu e por que decidiu criar uma técnica mista?
- A técnica giclée é, para mim, o que há de mais moderno no meio de impressão para artes plásticas. Foi desenvolvida há mais de doze anos por uma americana, que tive a oportunidade de conhecer. Venho fazendo as minhas próprias há uns oito, nove anos, desde os Estados Unidos.

Quando comecei, não se fazia, muito menos se conhecia, a técnica por aqui. Hoje ela é divulgada em todos os cantos do mundo e aparece com várias denominações (tipo obra digital, digigravura, etc.), embora o nome giclée seja o conhecido mundialmente. É só procurar na Internet “giclée” , para se ver o alcance da técnica !

A técnica mista (falando-se especificamente do universo giclée), não foi inventada por mim, faz-se nos USA há muito tempo (comecei a fazer lá também) e lá chama-se “enhanced “ ou “embellished “.

Resolvi trazer a técnica mista para o Brasil, como uma evolução natural da giclée. Faço poucos originais por ano (em média seis) que acabam ficando nas mãos de colecionadores e o colecionador da classe média sentia falta de algo mais acessível e com o meu “toque” pessoal. Diferentemente da edição normal de giclées, a técnica mista tem uma edição menor e cada imagem tem uma interferência minha, feita a óleo, com imagens novas criadas, fazendo com que cada obra seja única.
Comecei há pouco tempo, a minha primeira edição, com uma tiragem de 50, que vai indo muito bem. Tão bem que já tenho a próxima imagem no “forno” !

Mondogabriel - Como se tornou a primeira artista plástica brasileira a pertencer à Coleção de Artes da Família Real Britânica? Como se sente por fazer parte de uma coleção tão importante?
- Tudo começou com o meu Projeto Dueto, pelo qual pinto a história de uma empresa. O briefing escolhido foi sobre a Leonard Cheshire Foundation, que tem a rainha Elizabeth como presidente de honra. A história é longa, mas por sugestão de um dos ex-diplomatas que dirige a fundação, fui submetida à seleção da curadoria da Royal Collection e, ao final de quase dois anos, a minha obra passou a fazer parte da Royal Collection, que pertence à Família Real.

É claro que foi importantíssimo para a minha carreira estar dentro de uma das mais importantes coleções de arte do mundo, sendo que fui a primeira brasileira e única até agora.

Mondogabriel -Como funciona o Projeto Dueto?
- É um projeto feito para empresas que têm afinidade com as Artes Plásticas e conseguem ver como a arte pode agregar e dar sofisticação a sua imagem perante o seu público.
Tem empresas que fazem livros contando a sua história ; eu, através do briefing dado pela empresa, “conto” a história com pincéis e imagens. A obra, no geral, passa a fazer parte do ativo, mas as gravuras que se fazem desta imagem têm um alcance ainda maior, pois são presenteadas aos fornecedores, visitantes e amigos da empresa.

Mondogabriel -Pode falar um pouco sobre o Projeto Minueto?
- É uma derivação do Projeto Dueto, sem a obra. Há empresas que querem presentear e impactar com arte. Elas usam como ‘ferramenta” as minhas gravuras, que têm uma edição muito caprichada, numa embalagem sofisticada, feita à mão.

Mondogabriel - Você, quando cria, em alguns momentos, pensa em questões políticas, sociais, em fazer denúncias, ou cria apenas dando vazão ao que vem emergindo de seu interior, sem pensar em nada?
- Na hora da criação (nas telas), sou um ser apolítico! No meu realismo fantástico não há lugar para estas questões políticas, denúncias, etc. Crio um mundo realmente à parte, mas a simbologia, o aspecto metafísico está todo lá e não dá para criar este universo sem pensar!

Como pessoa, não dá para esquecer as questões sociais, tão escancaradas e evidentes em nossa sociedade !
Na última exposição retrospectiva que fiz no MuBE no mês passado, comecei uma etapa na minha carreira, de inclusão social, trazendo para o museu as crianças do Voluntariado do Hospital Albert Einstein, crianças carentes da Escola Celso Banda, da periferia de Três Corações, MG, além de outras escolas. As crianças foram recebidas por mim e pelas monitoras da exposição. Através da explicação de cada quadro, cada imagem conseguiu interagir com elas e mostrar um mundo talvez desconhecido.
Com a ajuda da Price Waterhouse Coopers, fizemos kits de pintura, com tela, pincéis e tintas, para que estas mesmas crianças pudessem dar vazão a sua criatividade, quando voltassem para a escola.
A recepção foi tão fantástica, que já estou no processo do projeto de outra exposição, só para os baixinhos. Ela será itinerante, com direito a livro, cenário e atividades lúdicas.

Mondogabriel - Você prefere cores quentes para pintar. Por que?
- A primeira vez que tive a noção do impacto que as minhas cores causam foi numa exposição que fiz em Buenos Aires. As pessoas perguntavam se as cores eram tão vibrantes por eu ser brasileira .... Devem ter associado a personalidade “quente”, festiva e calorosa do brasileiro às minhas cores.

Tanto a cor, com o claro/escuro, como a perspectiva, fazem com que os objetos, as idéias sejam destacadas, evidenciadas. Mas sempre que há sombra, há luz. A cor vibrante (e não berrante...) só o é porque há também as cores baixas, as que se apagam para fazer as outras aparecerem, vibrarem. Tudo isto é parte de uma técnica.

Mondogabriel - Como vê a arte hoje no Brasil? O que está faltando para dar um incentivo a sua produção?
- Ainda (infelizmente) engatinhando .... pouco profissional, pouco representativa.
Há muitos artistas que, para sobreviverem, têm que dar aula ou até ter uma outra profissão!
Falta mais interesse, patrocínio, pois sem ele é LITERALMENTE impossível se fazer uma exposição bem feita. Sem o patrocínio, não conseguiria ter feito nem meu livro, nem uma exposição em um museu. Tudo custa e muito caro!

Também acho extremamente importante termos exposições que vêm de fora, como essa de Leonardo da Vinci, como a de Picasso, mas acho também importantíssimo que os patrocinadores em potencial não se esqueçam da produção nacional, atuante, com o perigo de perdermos a nossa identidade nacional.

Mondogabriel - Pode falar um pouco sobre seu livro?
- Foi editado pela Décor, com texto crítico do professor José Roberto Teixeira Leite, contendo 104 imagens e 155 páginas.

Mondogabriel -Poderia falar um pouco sobre seu site? Ele é muito bem feito, foi você mesma quem o criou?
- Quando decidi acabar com o contrato de exclusividade que tinha com uma galeria, achei também por bem me tornar uma artista profissional e ser a gestora da minha carreira.

Para tanto tive que contratar profissionais das áreas do meu interesse, como licenciamento, projetos especiais e a web designer. Eu e meu marido participamos da elaboração do site ( www.mennabarreto.com.br ) e das muitas mudanças pelas quais ele passou. Eu vejo o site como uma ferramenta de interação importantíssima, pois é através dele que tiro dúvidas, dou dicas, tenho contato com as escolas, com as crianças, aqueles que gostam, mas não poderiam comprar, e até com grandes colecionadores. É um veículo atuante e democrático.