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Automação Tudo o que se sonha fazer (ou não fazer...) e muito mais.
Há alguns anos, filmes e livros que se reportavam ao futuro, imaginando como seriam os carros, as avenidas, as residências do século 21, todos traziam como foco principal dos megassonhos dos roteiristas e escritores algum tipo de automação residencial. Botões eram clicados e, pronto, tudo se resolvia sozinho.
Hoje, já no século 21, ainda não chegamos lá. Mas, com certeza, não demora para chegarmos. Muito já se pode fazer. E a Domótica (a ciência que cuida dessa área) vem caminhando a passos largos no mundo todo. Ah, claro, ainda estamos engatinhando no Brasil, por uma série de razões, mas pelo menos engatinhamos no caminho certo. “A Automação Residencial no Brasil tem crescido bastante”, revela Caio Bolzani, diretor técnico da Aureside-Associação Brasileira de Automação Residencial e do LAR-Laboratório de Automação Residencial da Poli-USP. Ele também é autor do primeiro livro sobre Automação Residencial e Domótica no Brasil, o “Residências Inteligentes”, editado pela Editora Livraria da Física. “A Aureside publicou recentemente – prossegue ele –
alguns números sobre o mercado, mostrando que o segmento tem tido um
crescimento acima do esperado, mas que ainda tem muito a crescer, tanto em
equipamentos como em serviços. As áreas mais utilizadas ainda são
iluminação e entretenimento, mas o melhor de tudo é que está havendo um
processo de amadurecimento e conscientização do mercado de que a automação
residencial é também uma ferramenta útil na economia de recursos como
energia elétrica e água, e no auxílio de pessoas no dia-a-dia do lar.
Essas abordagens foram o tema principal do VI Congresso Brasileiro de
Automação Residencial, realizado em março último, que enfatizou temas
como EcoCondomínios e auxílio de pessoas portadoras de deficiência.”
O que se pode esperar ?
Para Caio Bolzani, com o crescimento do mercado, aos poucos será possível uma melhoria significativa na qualidade de vida das pessoas. Segundo ele, “muitos equipamentos que existem na Europa e EUA estão sendo importados para o Brasil, aumentando a oferta e mantendo nosso mercado atualizado. Muitas empresas nacionais também produzem equipamentos de alta tecnologia e algumas até estão certificando seus produtos com os selos internacionais para que possam exportá-los para países norte e sul-americanos e da Europa. As áreas mais desenvolvidas, no entanto, não estão nos produtos, mas sim na utilização deles no bem-estar dos moradores e da comunidade. Muitos ‘desenvolvedores’ europeus e americanos já utilizam ferramentas de automação residencial para controle de consumo de energia, monitoramento de cargas e inserção automática de fontes de
energia alternativas. Aqui no Brasil, essas aplicações mais nobres não
são ainda tão difundidas.”
Mesmo assim, já é possível perceber em megalópoles como São Paulo, em diversos segmentos, a introdução paulatina de sistemas integrados para gerir atividades dentro de residências e de edifícios.
Segundo Wran Accorsi, da Computec – empresa do segmento de automação, que produz equipamentos de telefonia digital, câmeras, armazenamento digital, dentre outros da área, e ganhadora do Prêmio Top de Quality da OPB-Ordem dos Parlamentares do Brasil em 2004 e 2006 - , “assim como o automóvel teve uma grande evolução nas últimas duas décadas, é inevitável que a casa moderna use tecnologia de ponta para facilitar a vida das pessoas. Além de valorizar o imóvel, a tecnologia possibilita benefícios imediatos aos moradores como economia de água, luz, telefone, manutenção, funcionários etc. Maior conforto e segurança são os principais objetivos dos projetos de integração digital.”
E, segundo Caio, isso só tende a crescer. “Hoje – diz ele -, praticamente, é possível integrar os mais variados equipamentos de uma
residência através de uma rede de dados e controle. Muitas empresas permitem que seus clientes acionem eletrodomésticos via celular ou Palm. Lavar e passar a roupa ainda continuam a fazer parte dos afazeres domésticos e não acredito que isso vá mudar em futuro próximo. Não percebo que os fabricantes de eletrodomésticos estejam caminhando nesse sentido. Mas, veja o caso das geladeiras, por exemplo: grandiosas, estão virando um centro de entretenimento com tocadores de DVD embutidos e telas acopladas à porta, tudo isso porque os fabricantes sabem que a cozinha está se tornando novamente um local de encontro, devido ao escasso tempo de todos os membros da família. Mas isso não quer dizer que a geladeira está auxiliando diretamente o usuário, poupando-lhe tempo. Aquela história de a geladeira identificar os alimentos e fazer compras pela internet sozinha esbarra na questão técnica e comercial das etiquetas de radiofreqüência e da questão cultural que as pessoas ainda preferem fazer as compras no supermercado, pessoalmente.”
Mas as dificuldades para uma maior disseminação das grandes aplicações dos sistemas integrados nas residências não são só essas.“Os maiores entraves para o desenvolvimento da automação no Brasil – prossegue Caio – ainda são culturais. Por um lado, a automação
residencial ainda não declarou ao mundo sua verdadeira importância no auxílio aos moradores de uma casa. Por outro lado, as pessoas têm suas rotinas diárias: limpar, comer, beber, dormir, comprar. As rotinas podem ser as mesmas, mas o jeito de realizá-las varia de casa a casa, de pessoa a pessoa. É por isso que desenvolver sistemas e dispositivos para
casas inteligentes, que são tão dedicados e pontuais, é tão desafiador. É difícil saber que critérios devem ser considerados para que possam atender aos interesses da maioria.”
E o que vem por aí?
Mesmo lidando com essa incógnita, os fabricantes tendem a focar sua produção em equipamentos que não só facilitem o dia-a-dia, como também emprestem um certo glamour às residências que os utilizam. Por isso, a automação tem tudo para ser o grande diferencial da mostra Casa Cor 2007 (que teve início no último dia 29 de maio e deve se estender até 9 de julho). A Avantime Home Theater & Automation, especialista em projetos de utomação e uma das revendas, no Brasil, do Control4, foi a convidada de Cynthia Pimentel Duarte para automatizar o ambiente criado por ela para a Mostra, denominado “Boulangerie e Pâtisserie”. No espaço de 140 m2, o sistema Control4 controla as duas TVs LCDs, além de diferentes cenários de iluminação. O som ambiente é ativado por músicas gravadas em formato MP3 no controlador da automação, o que possibilita a criação de playlists, fazendo com que o áudio seja pré-programado. A integração com a Internet também proporciona conveniências, como alteração da programação musical ou da iluminação, sem a ecessidade de se estar fisicamente no ambiente.
E não será apenas a Avantime a incrementar um ambiente na Mostra, que é referência em decoração para todo o País. Também o arquiteto João Armentano aproveitará a tecnologia dos sistemas de automação e home theaters oferecidos pela Taag - The Automation Associate Group - para tornar um estúdio de 130m² ainda mais confortável e prático.
Projetado para um casal apaixonado, o estúdio terá espaços integrados por recursos tecnológicos.
O home theater, por exemplo, terá iluminação multicolorida vinda da banheira transparente instalada no mezanino. No box de vidro da suíte, imagens serão projetadas, transportando o visitante a uma versão futurista do cotidiano.
A automação também vai ajudar a solucionar pequenos espaços, como a cozinha gourmet, que terá TV LCD e caixas acústicas motorizadas embutidas no teto, que ficam escondidas enquanto não estão sendo usadas. Para os momentos a dois, cenários de luz e som ambiente poderão ser criados e controlados por meio de um pequeno teclado de LCD touch screen, em todos os ambientes.
A Taag ainda estará presente em outros cinco ambientes da Mostra, evidenciando que a automação está cada vez mais presente para facilitar a vida das pessoas. “Queremos fazer com que os visitantes vejam que uma casa com equipamentos e sistemas integrados proporciona conforto, praticidade e uma grande otimização de recursos”, conta Renato Mateus, diretor técnico da empresa, que será responsável também pela automação do Loft de Roberto Migotto, do Wine Bar de Silvana Mattar, do Home Theater de Lionel Sasson, do banheiro infantil de Vanessa Ferez e do terraço de Eurico Guedes.
Derrubando barreiras
Você achou ótimo? Claro, mas segundo Marcelo Pessoa, diretor de engenharia da Antares Overtech, outra empresa top de linha em produtos de automação, embora essa área venha se desenvolvendo muito, ainda tem um longo caminho a percorrer.
“Na minha opinião – diz ele – o grande entrave que ainda temos é o custo dos sistemas de automação, que está diretamente ligado ao pequeno volume de vendas. Um exemplo que podemos dar para ilustrar esse procedimento de mercado é o do PC. Logo que foi lançado, ele custava muito, muito caro. Com a popularização do computador, o seu preço foi caindo, ao ponto de hoje haver um índice muito grande de casas que já possuem computadores. Assim é com tudo. Por conta disso, hoje temos uma série de tecnologias que estão esperando alguém que possa viabilizá-las economicamente, para terem aplicação.”
É justamente por essa razão que tanto a Aureside como as empresas do setor contam em especial com os profissionais da área de arquitetura, engenharia e decoração de interiores para darem um impulso significativo na Domótica. Segundo Caio Bolzani,”a própria Aureside tem cursos para os que querem aprender mais sobre essa tecnologia e tornar-se um Integrador de Sistemas Residenciais. Muitas faculdades já estão desenvolvendo cursos
na área. Um exemplo é a Universidade de São Paulo, que criou o LAR- Laboratório de Automação Residencial exclusivo para desenvolver tecnologias apropriadas às novas casas que vem por aí.”
A nós só resta aguardar e torcer para que, com um maior índice de aplicação, mais e mais recursos sejam desenvolvidos e, se tudo der certo, em pouco tempo veremos se transformarem em realidade aqueles filmes de alguns anos atrás...